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2016-06-05

Andrómeda – A vizinha do lado, que nos vem visitar!


Para nós, habitantes do planeta Terra, habituados que estamos a deslocarmo-nos a pé, de automóvel, de comboio, de avião…, é sempre bastante difícil assimilar as distâncias a que estão os objectos situados fora do nosso lar.
A Lua, nossa eterna companheira, está a uns meros trezentos e oitenta mil quilómetros (380 000 km) de nós - distância média. Este é o número de quilómetros que quase todos os automóveis conseguem superar durante a sua vida útil e é cerca de trinta e duas vezes o diâmetro da Terra!


Se, em vez de quilómetros, pensarmos em anos-luz, ano-luz é a distância que a luz consegue percorrer durante um ano à velocidade de aproximadamente 300 000 quilómetros por segundo, então a Lua está a cerca de 1,2 segundos-luz da Terra. O nosso Sol, encontra-se a cerca de 8 minutos-luz do nosso planeta.
E a nossa vizinha, Andrómeda?


Andrómeda é uma galáxia espiral, maior que a nossa própria galáxia – a Via Láctea, que se encontra a cerca de 2,5 milhões de anos-luz de nós. Possui um diâmetro de cerca de 220 mil anos-luz e alberga qualquer coisa como 10 biliões de estrelas! É perfeitamente visível à vista desarmada em locais sem poluição luminosa e noites sem Lua. Com binóculos ou telescópio, é simplesmente soberba!
Se pensarmos agora que quando a observamos, estamos a vê-la como ela era há 2,5 milhões de anos no passado, ou seja, mais ou menos quando o Homo Habilis surgia na Terra, imaginem a distância…
Ora, devido à atracção gravitacional mútua, a Via Láctea e Andrómeda vão chocar no futuro. Ainda falta um pouco – qualquer coisa como cerca de quatro mil milhões de anos, quando sabemos que pouco mais do que isso é a idade do nosso sistema solar!
Não se preocupem contudo com os danos. Quando a colisão acontecer, a distância existente entre as estrelas de cada uma das galáxias é tão grande, que os choques serão residuais.
Podemos dormir descansados.

2015-10-30

JWST - James Webb Space Telescope

Três anos!
Três anos é quanto falta para o lançamento, previsto para Outubro de 2018, dos novos "óculos" que a humanidade vai usar para ir mais além, no passado, na senda do conhecimento da origem do universo.

Visão artística do telescópio

Um dos principais objectivos da missão do  James Webb é detectar e estudar as primeiras galáxias e estrelas em formação nas idades mais jovens do Universo. Como a luz viaja a uma velocidade finita, demora um certo tempo a chegar até nós, vinda do ponto do espaço que vier. Então, para conseguirmos observar estas primeiras estrelas e galáxias, será necessário olhar para o espaço longínquo, e ao fazê-lo estaremos também a olhar para trás - a viajar no tempo. 
Devido à expansão do Universo, quanto maior a distância a que um objecto se encontra, maior será a velocidade com que este se afasta. De acordo com um fenómeno designado por Efeito de Doppler, a luz que recebemos deste objecto sofrerá então um desvio para comprimentos de onda maiores - para a região dos infravermelhos, deixando de estar na "zona do visível". Como tal, para podermos detectar e estudar estes objectos, teremos de realizar observações na região dos infravermelhos.

Tamanho comparativo entre os espelhos do Hubble e do James Webb
É aqui que surge o James Webb Space Telescope!
Atendendo à zona do espectro em que vai trabalhar, a temperatura deverá ser mantida na zona dos 220º negativos, tendo sido por essa razão escolhido o berílio, como material mais adequado para a execução do espelho.
Com esta maravilhosa ferramenta podemos recuar até cerca de 200 milhões de anos logo após o Big Bang, o qual ocorreu à cerca de 13,8 mil milhões de anos.
A sua localização será no ponto de Lagrange L2.

Com este novo telescópio podemos dar continuidade ao trabalho iniciado com o Hubble e ir ainda mais longe no conhecimento da origem do Universo!

Saiba mais em: JWST
   

2014-11-19

O pilar da tua vida

Átomo de carbono ( a negro, ligando-se a quatro átomos de hidrogénio)
A vida, tal como a conhecemos na Terra, baseia-se no carbono (C).
Devido à sua extraordinária capacidade de, através de ligações covalentes, se conseguir ligar a outros elementos químicos, partilhando os seus electrões, o carbono foi o pilar da formação de vida no nosso planeta.
Porque não uma outra forma de vida, baseada por exemplo no silício?
Como afirmou Carl Sagan, não devemos ser chauvinistas do carbono!
Contudo, devido à importância que o carbono desempenha na existência de vida tal como a conhecemos, é óbvio que se procurarmos vida ou as moléculas que a ela deram origem, iremos numa primeira fase orientar a nossa pesquisa segundo essa via.
Imagem do local onde se encontra a Philae, no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
Fonte: ESA 


Ora, a Philae, recém- chegada ao cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, realizou já uma espantosa descoberta: a existência de moléculas orgânicas de carbono! Ainda sem qualquer conclusão adicional acerca da sua constituição e complexidade, é no entanto uma extraordinária descoberta!

2014-11-15

67P/Churyumov-Gerasimenko, o cometa!

Foto obtida a cerca de 10 km do cometa, pela Rosetta.
(Fonte: ESA
Saber mais acerca das nossas origens, é algo que todos valorizamos.
Temos aqueles que se preocupam em desvendar a sua árvore genealógica, saltando de geração em geração. Outros, preferem investigar quem foram os nossos antigos governantes, como governaram, que intrigas aconteceram, o que fizeram (ou não) em prol do desenvolvimento...
Alguns focalizam a sua atenção em determinada civilização, época histórica ou evento!
Existem os que se interessam pela origem da vida e do homem - este será porventura um dos temas mais aliciantes desta procura do saber (excepto, obviamente, para os que preferem "crer"!).
O conhecimento da origem do local onde tudo isto acontece - a Terra e do sistema planetário onde está inserido, não pode nunca passar-nos ao lado.
Nesse sentido, a ESA lançou-se num projecto extraordinário de estudar uma das "testemunhas" dessa altura - o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko!
Longe da confusão inicial que conduziria à alteração das provas, viajando para os confins do sistema e sem, ou com reduzida, interferência de terceiros, os cometas são o local ideal para sabermos com que matérias primas e condimentos se fez o "bolo".   
      

2012-11-13

IceCube - O "caçador" de neutrinos


Diagrama do IceCube
O neutrino, partícula elementar sub-atómica sem carga eléctrica e existente em três "sabores" (neutrino do electrão, do muão e do tau), é de muito difícil detecção dada o modo como interage com a matéria.

Milhões de neutrinos emanados do Sol atravessam a Terra a cada instante (e por eles somos atravessados) sem que de tal nos apercebamos.

Embora sem sabermos ainda quantificar o seu preciso valor, possui uma  massa muito diminuta - cerca de algumas centenas de vezes inferior à de um electrão!

O estudo dos neutrinos e o seu comportamento são muito importantes para melhor compreendermos o universo, porquê é que ele é feito de matéria e não de anti-matéria, como era no passado e como evoluirá...

Para ajudar a estudar melhor esta incrível partícula,  foi construído na Antártida um impressionante observatório de neutrinos - o IceCube Neutrino Observatory, que tenta indirectamente quantificar o seu número, através da sua ténue interacção com a matéria.

Finalizado em Dezembro de 2010 o observatório é constituído por 5160 detectores, distribuídos por uma matriz de 86 orifícios no gelo, com cerca de 2 400 metros de profundidade média.

IceCube - vista aérea

O gelo da Antártida é extremamente puro e opaco à luz solar nos local de colocação dos detectores.
Sempre que um neutrino colide com o núcleo de um átomo no gelo, emite um flash de luz azul (conhecida como radiação de Cerenkov) que é captada pelos detectores.
Esta informação é enviada para a superfície, onde é então tratada.

2012-11-05

Ozono - O buraco

O buraco de ozono a 31 de Outubro de 2012
No local certo, o ozono (mais precisamente o ciclo do ozono (*) ) tem a notável capacidade de absorver parte da radiação ultravioleta solar, convertendo-o num poderoso escudo natural de protecção à vida na Terra.

O ozono (O3) é uma molécula composta por três átomos de oxigénio, que se forma pela combinação de átomos livres de oxigénio, sempre que a molécula de oxigénio (O2) se rompe por acção da radiação ultravioleta.

Se a sua presença na estratosfera é extremamente benéfica, pelo tal efeito protector, impedindo a chegada até nós de uma parte significativa da radiação ultravioleta emanada do Sol, já na troposfera o converte num gás extremamente nocivo à saúde e à vida, degradando os tecidos e danificando as plantas.


O buraco de ozono em Setembro de 2000
Desde a descoberta há algumas dezenas de anos das consequências nefastas derivadas do lançamento involuntário para a atmosfera de determinados compostos químicos que provocavam a diminuição da camada de ozono e permitindo a livre passagem da radiação ultravioleta, que se começaram a tomar medidas para contrariar este efeito, como é do conhecimento de todos.

Desde então, a monitorização constante da presença do ozono na estratosfera tem permitido avaliar o impacto dessas medidas, que, ao que tudo indica, já começam a surtir efeito!

Nas imagens acima, vemos o tamanho do buraco de ozono em Setembro de 2000, momento em que o buraco atingiu a sua maior dimensão e em 31 de Outubro deste ano de 2012, onde atingiu o segundo menor tamanho em vinte anos.

Fonte: Ozone Hole Watch

(*) - Ciclo do ozono

Ficheiro:Ozone cycle.svg

2012-09-22

Outono

Inclinação axial planetária

Há os que preferem o Verão. Outros, apreciam o Inverno e as suas baixas temperaturas. 
Existem aqueles que se maravilham com o vigor primaveril e os que ficam deprimidos com o Outono!
Porque acontecem estas variações climáticas?
Devido a um detalhe muito simples: A inclinação do eixo de rotação da Terra!
No seu movimento de translação em torno do Sol, e devido a esta inclinação, a Terra vai expondo mais ou menos directamente ao Sol, diferentes zonas do planeta. Naquelas zonas onde o Sol estiver a incidir mais directamente, temos a estação mais quente. 
Se, por exemplo, a Terra não possuísse qualquer inclinação axial ou tivesse, como Mercúrio, uma inclinação quase nula, pura e simplesmente não teríamos estações do ano!
O clima e a temperatura seriam similares durante o ano todo.
Como não é o caso, pode cada um de nós continuar a apreciar a beleza da sua estação preferida...

2012-06-14

Universo - O facto mais impressionante



Neil deGrasse Tyson, astrofísico e comunicador de ciência norte-americano, foi um dia questionado por um leitor da revista Time, com a seguinte pergunta:
- Qual o facto mais impressionante sobre o Universo, que pode partilhar connosco?
Este video, foi a sua resposta!
As suas afirmações, simples e naturais para qualquer um, só poderão ferir "susceptibilidades criacionistas".
Realmente, quando olhamos para o céu, devemos sentir-nos grandes, pois os nossos átomos formaram-se no seio das estrelas, às quais estaremos, por esse motivo, para sempre ligados.
Como afirmou Carl Sagan: Nós somos feitos de poeira de estrelas
Sempre que à noite observo o céu, envolve-me sempre uma sensação de calma e bem-estar, pois a sensação de pertença e partilha é extremamente forte!

Nota: Se preferir, veja aqui a versão em português do Brasil 

2012-04-18

Cepticismo - Campanha 10:23


A COMCEPT – Comunidade Céptica Portuguesa irá organizar uma manifestação que terá lugar no Jardim do Príncipe Real, em Lisboa, no Sábado, dia 21 de Abril de 2012, às 10 horas.
A iniciativa, designada Campanha 10:23(*), pretende denunciar a ineficácia da homeopatia.

"...
A homeopatia é uma terapia alternativa, com origem no século XVIII, assente no princípio de que a cura pode ser obtida através das substâncias que causam certa doença, e que essas substâncias têm de ser diluídas sucessivas vezes, e a solução agitada vigorosamente. Os homeopatas alegam que esta solução ultradiluída adquire as propriedades opostas à de uma solução concentrada. Assim, uma substância que causasse febre, diluída homeopaticamente baixaria a temperatura do corpo. No entanto, acontece que após as diluições realizadas deixa de haver princípio activo na solução, sendo o princípio activo as moléculas que vão interagir com o nosso organismo, curando-o. Ou seja, os produtos homeopáticos não são mais do que água e açúcar, e nos reduzidos casos em que se registam melhoras trata-se de efeito Placebo. Para contornar este problema, os homeopatas, na década de 1980, passaram a alegar que a água possuía memória e por isso “recordava-se” das substâncias aí dissolvidas. Investigação científica nesta área tem refutado todos os argumentos dos homeopatas..."

In "Press release - Campanha 10:23", da COMCEPT – Comunidade Céptica Portuguesa


(*) A designação de Campanha 10:23 deriva da constante de Avogadro 6,02×1023, que nos indica o número de átomos ou moléculas por mole de determinada espécie química. 
Isto significa que não se pode diluir nada mais vezes que o número de moléculas que existem, por não haver nada mais para diluir.

2012-03-03

Oxigénio molecular em Dione

Crédito: Nasa
A sonda Cassini detectou, pela primeira vez, iões de oxigénio molecular em torno de Dione, uma das 62 luas conhecidas de Saturno.
Já era do nosso conhecimento que a lua Rhea e os anéis de Saturno, são também fontes de oxigénio molecular.
A concentração de oxigénio na ténue atmosfera de Dione, é similar à que encontraríamos a uma altitude de cerca de 480 km na Terra.
Numa concentração obviamente insuficiente para possibilitar a vida, é contudo um exemplo de que o oxigénio pode ser produzido em corpos gelados que sejam bombardeados por fotões do Sol, ou de outra fonte de luz que exista por perto.
Saiba mais aqui e aqui.

2012-01-23

O Sol anda turbulento!


A exemplo do que aconteceu na passada semana, o Sol, que se encontra numa fase de bastante actividade, brinda-nos com mais uma violenta erupção com ejecção de massa coronal, a afastar-se do Sol à velocidade de 2 200 km/s.
Esta massa de plasma atingirá a Terra amanhã (24 de Janeiro), por volta das 14 horas (UT), produzindo uma forte tempestade geomagnética que poderá produzir perturbações nas comunicações via satélite, entre outras.
A beleza de eventuais auroras em latitudes mais setentrionais, é o lado positivo desta erupção.
Veja aqui a simulação da densidade da massa ejectada e da sua velocidade.    

2012-01-10

El Gordo - Um enxame de galáxias “gordo” e distante


Um enxame de galáxias jovem extremamente quente e de elevada massa - o maior alguma vez observado no Universo longínquo - foi estudado por uma equipa internacional de astrónomos que utilizou o Very Large Telescope (VLT) do ESO, instalado no deserto do Atacama no Chile, juntamente com o Observatório de raios-X Chandra da NASA e o Atacama Cosmology Telescope. (...)

O enxame de galáxias recentemente descoberto foi apelidado de El Gordo. É composto por dois sub-enxames separados de galáxias em colisão com uma velocidade de vários milhões de quilómetros por hora, e que se encontram tão afastados de nós que a sua luz teve que viajar durante sete mil milhões de anos para chegar até à Terra...

Leia o resto da notícia aqui

2011-12-29

Leitura actual - Aos ombros de gigantes

Todos aqueles que bem me conhecem, sabem que a melhor prenda que me podem oferecer é ... um livro!
Este ano fui presenteado com a magnífica obra Aos ombros de gigantes, a qual agrupa num só livro as principais obras de Copérnico, Galileu, Kepler, Newton e Einstein. 
Coligido e comentado por Stephen Hawking e com coordenação científica e prefácio de Carlos Fiolhais, foi de imediato para a minha mesa de cabeceira.
O título do livro inspira-se numa afirmação de Newton, integrante de uma carta sua a Robert Hooke datada de 15 de Fevereiro de 1676, onde a certo passo afirma "...se vi mais longe foi por estar de pé sobre ombros de gigantes." 
Embora segundo os mais puristas não tenha sido Newton o "inventor" da afirmação, foi por ele imortalizada. 
Esta simples frase diz-nos que o nosso saber e as nossas descobertas só acontecem porque existe todo um trabalho previamente realizado por outros, o qual nos permite ir mais além! 
Obrigado, "Mães Natal".

2011-12-14

Geminídeas

Chuva de meteoros
Na sua trajectória à volta do Sol, a Terra percorre cerca de 940 milhões de quilómetros, à incrível velocidade aproximada de 30 km/s, ou seja perto de 107 mil km/h!

Neste seu percurso intercepta por vezes zonas onde existem fragmentos de cometas ou asteróides, também eles a orbitar o Sol, segundo diferentes órbitas.

Esses pequenos corpos, considerávelmente maiores que um átomo e mais pequenos que um asteróide, segundo a definição da União Astronómica Internacional, que existem no espaço interplanetário, têm o nome de meteoróides.

Ora, quando a Terra encontra um desses objectos no seu caminho, duas coisas podem acontecer:
– ou o objecto se desintegra ao atravessar a nossa atmosfera, e aí toma o nome de meteoro ou,
- o objecto, dadas as suas maiores dimensões, sobrevive à passagem na atmosfera, e então chama-se meteorito

No momento em que o calor gerado pela compressão do ar, imediatamente adiante da sua trajectória, é de tal ordem que provoca a sua fusão (total ou superficial), o corpo torna-se incandescente, e logo visível da Terra.

Todos os dias acontecem este tipo de fenómenos. Contudo, quando a sua frequência é muito grande – da ordem das dezenas por hora, dá-se o nome de “chuva de meteoros”, ou “chuva de estrelas”.

Imagem obtida de: Portal do Astrónomo
A zona do céu de onde aparentam ter origem, tem o nome de radiante.
Assim, cada “chuva de meteoros” toma um nome, mediante o seu radiante.
A que se pode observar nesta altura do ano, entre o dia 30 de Novembro e 20 de Dezembro, e com um pico de frequência entre os dias 13 e 14, dependendo do ano, toma o nome de Geminídeas, pelo facto do seu radiante se situar na constelação de  Gémeos.

Há muita gente que acredita que se formular um pedido no momento em que avista a “estrela cadente” ele se realiza. Essas pessoas devem lembrar-se que estão a formular o pedido a uma pequena partícula ou grão rochoso que se vai desfazer ou cair na Terra…

2011-12-13

Eu quero saber, não quero acreditar!


Um dos locais que eu visito regularmente e com muito interesse, é o AstroPT.
Numa das suas últimas mensagens vem transcrita uma afirmação da viúva de Carl Sagan, a propósito do pensamento do marido:

Carl nunca quis acreditar. Ele quis saber.”

Está simples frase retrata a essência do pensamento de todos aqueles que procuram o conhecimento em detrimento do crer, porque sim...

Pela sua enorme abrangência e significado, não pude evitar partilhá-la.

2011-12-03

O Banco da Matemática - Chaves, PT

O Banco da Matemática
O "Banco da Matemática" (41º 44' 10.6" N, 7º 28' 8.18" O), colocado na chamada Praça Sul - margem esquerda do rio Tâmega, numa das extremidades da Ponte Pedonal de Chaves, é composto por 7 blocos cúbicos com 60cm de aresta. A composição gráfica nas faces superiores é composta de rectas e curvas, à primeira vista parecendo ter um desenho arbitrário, mas que é de facto geometricamente rigorosa. Algumas pistas que estiveram na origem desta construção geométrica são descritas de seguida. Têm por base a obtenção, por via geométrica, do valor de termos de algumas sucessões numéricas, tomando como unidade o comprimento do lado duma face.

Vista parcial dos blocos 1, 2 e 3
Trata-se, neste painel, de um confronto do que na matemática pode ser determinado por meios geométricos, e do que requer necessariamente uma resolução analítica. O que vem um pouco na linha da matemática da antiga Grécia (recorde-se que os três célebres problemas da matemática da antiguidade, um dos quais era o da célebre “quadratura do círculo”, tinham a particularidade de não poderem ser resolvidos geometricamente, ou seja, por meio duma construção de sucessões de rectas e curvas traçadas criteriosamente e com rigor, mas apenas por aproximação).


No conjunto das 3 primeiras peças estão representados traçados que permitem obter sucessivamente valores de √2; √3 ... √10 ... (√n, generalizando).

Nas 2 peças seguintes figura a determinação geométrica de 1/2; 1/3 ... 1/6 ....


Nas duas últimas é representada uma espiral logarítmica, embora de uma forma particular, usando apenas os pontos nos eixos ortogonais, unidos por rectas. A título elucidativo, refere-se que a espiral completa de que faz parte, e que é representada na figura ao lado, tem,em coordenadas polares, a expressão r r k,com r = 0,5 e k =p/2.


Um aspecto interessante dessa representação é que as sucessivas linhas fazem entre si ângulos rectos. Isso possibilita que, calculando dois pontos consecutivos, os restantes se possam obter geometricamente.
Como curiosidade diga-se ainda que a espiral logarítmica, curva que se reproduz sucessivamente a si própria, deleitava de tal modo o matemático Jacob Bernoulli (1654-1705), que desejou que fosse gravada no seu túmulo (com a inscrição eadem mutata resurgo - ressurjo a mesma, embora mudada).

Na série de Fibonacci, 0, 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21….., matemático dos séc. XII-XIII, também conhecido pela introdução dos algarismos árabes na Europa, cada termo é composto pela soma dos dois termos anteriores. A divisão entre termos sucessivos tende para o valor vulgarmente designado por “número de ouro”, o que a aproxima de uma progressão geométrica com razão r = (1+√5) /2≈1,618,. Nos 4º e 5º blocos está representada a construção geométrica que permite a obtenção deste número (na realidade esta construção conduz-nos ao valor 1,6180, o que corresponde a uma aproximação até ao 5º dígito), e o designado “rectângulo de ouro”, elementos estes que são recorrentemente usados em criações artísticas - na arquitectura, pintura, música, etc..

A Praça Sul, de forma triangular 
Como nota final sobre o “Banco da Matemática”, e incluído na construção geométrica atrás referida, é representado um triângulo, de proporção entre a base e a altura de 2/3. Está na 4ª e em metade da 5ª pedras. Este triângulo é a base que serviu para a definição geométrica da designada Praça Sul, que na realidade é um triângulo em planta, com a base de 18m e altura de 27m. Já no caso da torre metálica de suspensão dos tirantes foi usada uma proporção de 1/2, para os mesmos elementos.







Nota: A informação e as peças desenhadas constantes deste artigo foram amavelmente cedidas pelo autor do projecto da ponte, do banco da matemática e de implantação do Sistema Solar na cidade de Chaves, Eng. Mário Veloso

2011-11-23

A Molécula Sonâmbula

Por ocasião do Dia Nacional da Cultura Científica - 24 de Novembro, instituído em 1997 para comemorar o nascimento de Rómulo de Carvalho e divulgar o seu trabalho na promoção da cultura científica e no ensino da ciência, aqui fica a minha singela homenagem.

Nota: Na imagem ao lado está uma representação tridimensional da molécula de ATP - Trifosfato de adenosina (responsável pelo armazenamento de energia), que nada tem a haver com o título do poema.



Poema da Molécula Sonâmbula

Molécula sonâmbula
num espaço sem contornos a n dimensões,
Molécula entre moléculas.
Sonâmbula entre sonâmbulas.
Segue a pobre em sua trajectória,
certa, convicta, decidida, autêntica.
(a vida é bela) (tudo me pertence)
quando não a direcção se muda.
E com a direcção e a vontade o horizonte se muda e
novo embate lhe altera a trajectória.
E outro, e outro, e outro, sem descanso.
Rodopia Molécula sonâmbula.
Estonteia-se rodando em torno do seu eixo
que um eixo se imagina em tudo quanto roda.
Avança, retrocede, sobe, desce,
vibra, estremece
e muda, muda sempre
que a matéria é mudança permanente,
e a molécula é matéria.
Não poderás parar molécula sonâmbula;
que o movimento é lei da natureza.
Tudo se move e ao se mover embate
e ao se embater se muda
e ao se mudar se altera
e ao se alterar se cansa
até que novamente recupere
em novo embate o que a embater perdera.
Rodopia, molécula sonâmbula,
e não esperes por nada. Rodopia.
António Gedeão

2011-08-07

Carl Sagan - You Are Here (Pale Blue Dot)

Tempo virá em que a investigação diligente, cobrindo longos períodos, esclarecerá coisas que hoje estão escondidas. O tempo de uma vida , mesmo que totalmente dedicado ao estudo do céu, não seria suficiente para a investigação de tão vasto tema [...]. Por isso, esse conhecimento terá de desenvolver-se ao longo de gerações sucessivas. Tempo virá em que os nossos descendentes se surpreenderão por não sabermos coisas que são tão óbvias para eles [...] Muitas descobertas estarão reservadas às gerações vindouras, quando a lembrança da nossa existência já estiver apagada. O nosso universo seria uma coisa insignificante se não houvesse sempre nele algo a ser investigado por todas as gerações que vão surgindo [...]. A natureza não revela os seus mistérios de uma só vez.”
(Séneca, Questões Naturais, livro 7, século I)

2011-06-26

Asteróide 2011 MD - O visitante inesperado

Na próxima segunda-feira, 27 de Junho, pelas 14:30 horas - hora de Lisboa, iremos ter um visitante inesperado - o asteróide 2011 MD. Com um tamanho estimado entre os 5 e os 20 metros, passará a cerca de 12.000 km da Terra, mais precisamente sobre a costa da Antártida, 3.200 km a sul da África do Sul. 
Para melhor podermos avaliar e comparar a distância, sabemos que a Lua está a cerca de 380.000 km de nós e a rede de satélites GPS a cerca de 20.000 km.

Embora não haja risco de colisão - se tal acontecesse o asteróide desfazer-se-ia devido ao atrito ao penetrar na atmosfera terrestre, a sua órbita será afectada pela massa da Terra, dada a proximidade da passagem.

Eis o diagrama com a sua trajectória:
Fonte: Nasa

2011-05-26

Shewanella oneidensis

A ciência está mais próxima de conseguir criar geradores de energia eléctrica a partir de bactérias, pois, pela primeira vez, foi demonstrado como os micróbios conseguem descarregar pequenas correntes eléctricas através das suas estruturas.

Esta descoberta, de acordo com um estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Science”, abre portas para aparelhos bioeléctricos, em que biliões de bactérias são ligadas a eléctrodos que recolhem a sua energia. Como alguns organismos se alimentam de poluentes, também há a possibilidade de as bactérias serem usadas para converter lixo industrial, radioactivo e esgotos em electricidade.
Fonte: Ciência Hoje