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2017-03-28

As Estelas de Castelões

A palavra estela, provém do grego stela, que significa pedra erguida ou alçada.
Perto da localidade de Castelões, Chaves, foram encontradas no ano de 2012, duas estelas, distanciadas cerca de 12 metros uma da outra. 
O local do achado ( 41º 48’ 19.87’’ N, 07º 34’ 20.73’’ O) situa-se perto de um caminho que liga Castelões a Meixide, a uma cota perto dos 1000m, de vastíssimo horizonte visual, sem vestígios de qualquer função funerária.
Castelões I (Silva, 2013, p.630, fig.1)

A primeira estela, denominada Castelões I, é um monólito de espessura regular, de granito da região, de tonalidade acinzentada, conhecido justamente como “granito de Castelões”, com muito quartzo e mica preta.
Possui cerca de 1,50 m de altura (dos quais cerca de 0,20 m enterrados), 1,20 m de largura (média) e 0,25 m de espessura. 
O seu reverso é tosco, enquanto que o anverso foi alisado para permitir a figuração.
Possui gravado um escudo ao centro, com cinco círculos concêntricos. 
Por baixo do escudo está uma espada completa, enquanto que à direita existe uma lança na vertical.
À esquerda do escudo, visualiza‑se, em posição invertida, um espelho, de disco subcircular com pé.
De realçar ainda, a evidência da estela ter sido ornamentada na sua orla periférica com um denticulado em zig-zag. 




Castelões II (Silva, 2013, p.630, fig.2)

A segunda estela - Castelões II, é igualmente um monólito, mas neste caso de granito amarelo, não existente na região, com muito feldspato, quartzo miúdo, pouca moscovite e muita biotite.
As suas dimensões são ligeiramente inferiores à outra - cerca de 1,50 m de altura (dos quais cerca de 0,25 m enterrados), 1,15 m de largura (média) e 0,15 m de espessura.
De configuração similar à anterior, com o anverso igualmente plano e alisado e o reverso tosco, ao natural.
A parte superior foi igualmente boleada, enquanto a parte inferior, para enterramento, não terá vestígios de especial tratamento.
O escudo ocupa a parte central, sendo constituído por três aros concêntricos. São notáveis os pormenores do mesmo, com detalhes da pega central e do cravejamento que fixaria as tiras de couro ou capas de metal ao suporte.
 Por baixo do escudo, está figurada uma espada completa, enquanto que na parte superior está representada uma lança com haste comprida e ponta foliácea. 
São ainda notórios os seguintes elementos: uma ponta de lança; um círculo, representando a cabeça e linha dorsal vertical com membros superiores e inferiores abertos; um pequeno canídeo ou cervídeo, com cauda, patas e orelhas ou armadura representadas por segmentos lineares e um motivo geométrico, com dois círculos quase concêntricos. A orla exterior possui igualmente um denticulado em zig‑zag, ainda visível em quase todo o seu perímetro.

Dadas as suas características, poderemos datá-las dos finais da Idade do Bronze.  
Após a sua descoberta, as estelas foram movidas para o local onde se encontram presentemente, em Castelões, onde poderão ser visitadas e apreciadas.

As duas estelas, na localidade de Castelões (foto extraída do blogue "Castelões  - Aldeia Transmontana).

2012-12-27

Barragem Romana da Abobeleira - Chaves, PT

Zona envolvente da barragem (41º 45' 20,78'' N 7º 29' 24,24'' W)
Nos arredores de Chaves, mais precisamente na direção nor-noroeste, perto da localidade de Abobeleira, existem vestígios de uma barragem construída pelos romanos no século I DC, barragem essa que fazia parte de um conjunto de captações de água que abasteciam a Civitas de Aquae Flaviae.
Das estruturas então existentes restam somente os encontros do paredão que fechava o vale e, a jusante, vestígios do aqueduto que conduzia a água até à cidade.

Vestígios do aqueduto (41º 45' 22,30'' N 7º 29' 25,08'' W)
De acordo com as escavações e observações efetuadas nos finais do século passado, a barragem seria constituída por um dique de retenção das águas com uma altura estimada de 17 metros e um vão de aproximadamente 90 metros. A estrutura do paredão, com uma largura total superior a 7 m, era composta por quatro muros paralelos, com uma espessura de 60 cm, construídos com blocos graníticos em opus incertum e ligados por opus caementicium, em dupla face, sendo o alicerce assente sobre entalhes efetuados no afloramento rochoso. Os muros dispostos radialmente a partir do topo da encosta, eram travados internamente por contrafortes, igualmente construídos com blocos graníticos, sendo o espaço entre estes, que varia entre 1,4 e 2 m, preenchido com terra compactada e argila.

Bacia da albufeira e respetivo aqueduto (à direita)

Desde 1992 que está classificada como imóvel de interesse público (Decreto nº 26-A/92, DR, 1.ª série-B, n.º 126 de 01 junho 1992).

Foto das escavações efectuadas nos finais da década de 1980
Durante a visita efetuada a 27 de dezembro de 2012, pude constatar o abandono a que o local está votado, repleto de vegetação invasora e sem qualquer referência alusiva ao monumento, conforme se pode constatar pelas imagens.





2012-09-30

Aquae Flaviae - Balneário Termal Romano

Largo do Arrabalde, Chaves

Há alguns anos, entendeu a Câmara Municipal de Chaves levar a cabo a construção de um parque de estacionamento no Largo do Arrabalde.

Fase inicial da prospecção
Atendendo à história da cidade, essencialmente no que à presença romana diz respeito, foram levados a efeito trabalhos prévios de prospecção do subsolo, tendo sido identificados vestígios que indiciavam a presença das termas da cidade romana de Aquae Flaviae
Como sequência, o gabinete de arqueologia da autarquia, sob a direcção do Dr. Sérgio Carneiro, assumiu a tarefa de escavação de todo o espaço destinado inicialmente à construção do referido parque de estacionamento, colocando a descoberto vestígios do balneário termal da antiga cidade romana.
Iniciadas as escavações, foram-se removendo cuidadosamente os estratos mais recentes, pondo a descoberto, numa fase inicial, parte da muralha defensiva da cidade.

Muralha da restauração, parcialmente assente
nos escombros da cobertura do balneário 
Constatou-se posteriormente que partes desta muralha estavam assentes em escombros, concluindo-se posteriormente, serem estes mesmos escombros o produto da derrocada da cobertura do… Balneário Termal Romano!

Panorâmica da zona escavada
Assim, e muito resumidamente, passo a detalhar algumas das principais descobertas na área escavada, que obviamente está condicionada à envolvente urbanística:

Ao nível construtivo
- Uma piscina de grandes dimensões (13,22 x 7,98 m) com cinco degraus no seu topo Norte;
- Uma outra piscina apenas parcialmente escavada mas da qual um dos lados deverá ter cerca de 8 m, com seis degraus a toda a volta;
- Um tanque pequeno, possivelmente para banhos individuais;
- Uma sala pavimentada com um ralo para escoamento de águas;
- A nascente das águas termais (água a 68º C);
- Um complexo sistema de condutas de entrada e saída das águas.   É de salientar novamente que todo este conjunto possuía uma cobertura, ao que tudo indica comparável à existente em Aquae Sulis na Britânia (actual Bath, Inglaterra).

Maqueta de Aquae Sulis
Relação de alguns dos objectos encontrados
Pirgo
- Um pirgo (torre para lançar dados de jogar) em opus interassile de bronze que constitui um dos três únicos exemplares deste tipo de objecto existentes no mundo (os outros dois encontram-se no Landesmuseum de Bona, na Alemanha e no Museu do Cairo, no Egipto);
- Um fragmento de cestaria forrada de cortiça que envolvia originalmente uma garrafa, de forma a conservar a temperatura da água no seu interior;
- Vários pentes em madeira;
- Uma turquês em ferro perfeitamente conservada;
- Uma ampulla (garrafa achatada e larga com duas asas) em madeira com uma inscrição no exterior
- Diversos objectos de adorno em madeira, metal e osso, como anéis, braceletes e pulseiras, contas em madeira osso vidro e cornalina;
- Etc. 

Dada a relevância da descoberta, o local foi já classificado como património nacional e vai em breve ser musealizado.

Antevisão do museu a edificar


2012-06-04

Jardim das Freiras - Chaves, PT

Jardim das Freiras (Largo General Silveira), Chaves, Portugal
(clique para ampliar)

Um projecto novo rompe, quase sempre, com o passado.
Por vezes a ruptura é tão violenta que choca tudo e todos.
Acontece porém que a obra que tanto nos chocou é bela, afinal, e até existe continuidade e integração espaço/temporal, só que sob uma diferente e contemporânea perspectiva.

O horrível não o é!
É belo!

Não é contudo o caso da intervenção que teve lugar há uns anos no Jardim das Freiras:
O horrível afirma-se à medida que o tempo passa, ganhando amplitude.
A condescendência metódica inicial, já há muito se esfumou.

Em termos arquitectónicos os elementos mais em evidência estão completamente fora de escala.
A fonte, peça mais relevante, em vez de transmitir dinamismo e quietude, associados à presença e movimento da água, só consegue emitir ruído...

O pavimento escolhido é um autêntico desastre.
Se no Verão, atravessá-lo é como efectuar uma travessia no deserto, no Inverno é melhor munirmo-nos de esquis, pois seja com chuva ou com gelo, torna-se num autêntico ringue de patinagem.
Isto para não enveredar pelas suas características físicas e mecânicas, completamente desadequadas ao rigor do nosso clima, como se constata pela constante fracturação e quebra dos seus elementos.

Quem decide, utilizando o dinheiro que não lhes  pertence, deve fazê-lo após adequada e profunda análise de todas as variantes e consultando quem sabe...

Jardim das Freiras (década de 1960)
Como era belo o antigo Jardim das Freiras, local obrigatório de digestivos e agradáveis passeios e amenas cavaqueiras!

2012-01-16

Sincelo em Chaves

EN2, Outeiro Jusão (arredores de Chaves) - 12 de Janeiro, 8:45 horas



Avenida D. João I - Chaves - 12 de Janeiro, 8:46 horas

Arredores de Chaves - 12 de Janeiro, 12:35 horas

A orografia, a humidade do Rio Tâmega, a altitude e a temperatura, fazem com que Chaves seja uma cidade onde o nevoeiro se forma com frequência durante o Inverno.

(Nunca mais esqueço as duas semanas de umas férias de Natal, enquanto estudante, em que nunca cheguei a ver o Sol devido ao nevoeiro...)

Quando a temperatura baixa dos 2ºC negativos e existe nevoeiro, a formação de sincelo acontece.

O espectáculo é, simplesmente, belo!

A vontade de trabalhar desaparece e apetece ir para um local aconchegado, ouvir o crepitar do fogo...

2012-01-07

Anoitecendo...

Anoitecendo na margem do Rio Tâmega, sendo visível a ponte de Trajano e parte da nova ponte pedonal, ao fundo.
O anoitecer é algo de sublime para mim.
À medida que o Sol desaparece no horizonte, deixando de o iluminar, cria-se um contraste lindíssimo entre as zonas já na penumbra e o céu ainda iluminado.
O momento em que as serras ficam mesmo escuras, traçando no horizonte uma linha irregular que o contorna, é para mim o “tal” momento.
Hoje, passeando pela cidade, tentei captar esse efeito, aqui com a nuance do reflexo no rio ...

2012-01-05

Iluminação pública

Nova iluminação na Av. dos Aliados (à esq. )
e na Rua do Terreiro de Cavalaria
A Câmara Municipal de Chaves está a remodelar parcialmente algumas das luminárias existentes na cidade. Pelo critério escolhido, desde já os meus parabéns!

Habituado a constatar os enormes erros cometidos na nossa iluminação pública, com uma consequente degradação dos céus nocturnos e desperdício de energia, foi com enorme satisfação que verifiquei que as luminárias recém colocadas são exemplarmente ecológicas no que à poluição luminosa concerne.

Se num dos exemplos temos uma solução de design esbelto e actual, no outro foi-se ao encontro do tradicional, em conformidade com as características urbanísticas locais.

Contudo, em ambos os casos, a opção tomada foi a correcta, uma vez que a iluminação é exclusivamente dirigida para o solo, sem qualquer envio luminoso para a atmosfera.

Num dos meus anteriores artigos, mostrava o impressionante halo da cidade de Chaves, numa fotografia obtida a 10 km da cidade.

Oxalá seja este o início de uma actuação responsável por quem de direito, que minore o deplorável estado de poluição luminosa atingido no nosso país.

2011-12-03

O Banco da Matemática - Chaves, PT

O Banco da Matemática
O "Banco da Matemática" (41º 44' 10.6" N, 7º 28' 8.18" O), colocado na chamada Praça Sul - margem esquerda do rio Tâmega, numa das extremidades da Ponte Pedonal de Chaves, é composto por 7 blocos cúbicos com 60cm de aresta. A composição gráfica nas faces superiores é composta de rectas e curvas, à primeira vista parecendo ter um desenho arbitrário, mas que é de facto geometricamente rigorosa. Algumas pistas que estiveram na origem desta construção geométrica são descritas de seguida. Têm por base a obtenção, por via geométrica, do valor de termos de algumas sucessões numéricas, tomando como unidade o comprimento do lado duma face.

Vista parcial dos blocos 1, 2 e 3
Trata-se, neste painel, de um confronto do que na matemática pode ser determinado por meios geométricos, e do que requer necessariamente uma resolução analítica. O que vem um pouco na linha da matemática da antiga Grécia (recorde-se que os três célebres problemas da matemática da antiguidade, um dos quais era o da célebre “quadratura do círculo”, tinham a particularidade de não poderem ser resolvidos geometricamente, ou seja, por meio duma construção de sucessões de rectas e curvas traçadas criteriosamente e com rigor, mas apenas por aproximação).


No conjunto das 3 primeiras peças estão representados traçados que permitem obter sucessivamente valores de √2; √3 ... √10 ... (√n, generalizando).

Nas 2 peças seguintes figura a determinação geométrica de 1/2; 1/3 ... 1/6 ....


Nas duas últimas é representada uma espiral logarítmica, embora de uma forma particular, usando apenas os pontos nos eixos ortogonais, unidos por rectas. A título elucidativo, refere-se que a espiral completa de que faz parte, e que é representada na figura ao lado, tem,em coordenadas polares, a expressão r r k,com r = 0,5 e k =p/2.


Um aspecto interessante dessa representação é que as sucessivas linhas fazem entre si ângulos rectos. Isso possibilita que, calculando dois pontos consecutivos, os restantes se possam obter geometricamente.
Como curiosidade diga-se ainda que a espiral logarítmica, curva que se reproduz sucessivamente a si própria, deleitava de tal modo o matemático Jacob Bernoulli (1654-1705), que desejou que fosse gravada no seu túmulo (com a inscrição eadem mutata resurgo - ressurjo a mesma, embora mudada).

Na série de Fibonacci, 0, 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21….., matemático dos séc. XII-XIII, também conhecido pela introdução dos algarismos árabes na Europa, cada termo é composto pela soma dos dois termos anteriores. A divisão entre termos sucessivos tende para o valor vulgarmente designado por “número de ouro”, o que a aproxima de uma progressão geométrica com razão r = (1+√5) /2≈1,618,. Nos 4º e 5º blocos está representada a construção geométrica que permite a obtenção deste número (na realidade esta construção conduz-nos ao valor 1,6180, o que corresponde a uma aproximação até ao 5º dígito), e o designado “rectângulo de ouro”, elementos estes que são recorrentemente usados em criações artísticas - na arquitectura, pintura, música, etc..

A Praça Sul, de forma triangular 
Como nota final sobre o “Banco da Matemática”, e incluído na construção geométrica atrás referida, é representado um triângulo, de proporção entre a base e a altura de 2/3. Está na 4ª e em metade da 5ª pedras. Este triângulo é a base que serviu para a definição geométrica da designada Praça Sul, que na realidade é um triângulo em planta, com a base de 18m e altura de 27m. Já no caso da torre metálica de suspensão dos tirantes foi usada uma proporção de 1/2, para os mesmos elementos.







Nota: A informação e as peças desenhadas constantes deste artigo foram amavelmente cedidas pelo autor do projecto da ponte, do banco da matemática e de implantação do Sistema Solar na cidade de Chaves, Eng. Mário Veloso

2011-11-20

Ponte de Trajano - Chaves, PT

Ponte de Trajano - Ano de 2009
Introdução

O Império Romano, foi o grande precursor daquilo a que agora chamamos globalização.

A necessidade de conseguir um transporte rápido e eficaz de pessoas e bens ao longo do império, levou os romanos a construir uma rede viária extremamente eficiente e duradoura. Desde a Britannia ao Egipto, da Lusitania à Cappadocia, as vias romanas foram um dos pilares do seu sucesso.

Mapa da rede viária e principais centros urbanos
no noroeste da península na época romana
A via XVII do Itinerário de Antonino, que ligava Bracara Augusta (Braga) a Asturica Augusta (Astorga), passando por Aquis Flaviis (Chaves), era parte integrante dessa grande malha viária e evidencia a importância atingida pela cidade nessa época.

A Ponte de Trajano, ex-líbris da cidade de Chaves, situada nessa via e magnífico exemplar da engenharia romana, mantém ainda hoje toda a sua imponência, passados quase 2 000 anos desde a sua construção.

Unindo actualmente as freguesias de Santa Maria Maior, na margem direita do Rio Tâmega, e da Madalena, na margem esquerda, foi alvo de várias intervenções e vicissitudes que foram adaptando e alterando as suas características originais, em função das necessidades e do uso.


Sinopse histórica

Ano 79
Data da erecção da coluna designada Padrão dos Povos, actualmente no Museu Flaviense e cuja cópia(*) está colocada a jusante da ponte, dedicada pelas dez civitates aos imperadores Vespasiano e Tito, ao legado propector de Augustus e à Legio VII Gemina Felix;

Réplica(*) do Padrão dos Povos
existente sobre a ponte
Eis o teor da inscrição nela existente:
IMP (eratori) CAES (ari) VE [sp (asiano) AVG (usto) PONT (ifici)] / MAX (imo) TRIB (unicia) POT (estate) [X IMP (eratori) XX P (atri) P (atriae) CO (n) S (uli) IX] / IMP (eratori) VESP (asiano) CAES (ari) AV [g (usti) F (ilio) PON (ifici) TRIB (unicia) / POT (estate)] VIII IMP (eratori) XIIII CO (n) S [s (uli) VII] / G (aio) CALPETANO RA [ntio Quirinali] / VAL (erio) FESTO LEG (ato) A [ug (usti) PR (o) PR (aetore)] / D (ecimo) CORNELIO MA [eciano Leg (ato) AUG (usti)] / L (ucio) ARRUNTIO MAX [imo Proc (uratori) AUG (usti)] / LEG (ioni) º VII GEM (inae) [Fel (ici)] / CIVITATES [X] AQUIFLAVIEN [ses Aobrigenses] / BIBALI COEL [erni Equaesi] / INTERAMIC [i Limici Aebisoci] / QUARQUE [r] NI TA [magani]".

Interpretação:
Estas dez civitates (povos), a saber, Aquiflaviense (de Chaves), Aobrigenses (de Oimbra), Bíbalos (do vale do Tâmega à encosta do Larouco), Coelernos (de Celanova), Equésios (do vale de Laza), Interâmicos(entre-rios / confluência do Rio Sil com o Rio Minho), Límicos (vale do Lima / Xinzo de Lima), Aebisocos, Quaquernos (Baños de Bande) e Tamaganos (vale de Monterrey / Verin) fazem a presente dedicatória ao César Imperador Vespasiano Augusto Pontífice Máximo, quando gozava da vigésima potestade tribunícia, Pai da Pátria, cônsul pela nona vez. Do mesmo modo ao César Imperador Vespasiano, filho de Augusto, Pontífice, gozando da oitava potestade tribunícia e da décima quarta imperatória, cônsul pela sexta vez (damnatio memoriae de Domiciano). Também a Caio Calpetano Râncio, Quirinal Valério Festo, Legado Propretor de Augusto, a Décio Cornélio Maeciano, Legado de Augusto, a Lúcio Arrúncio Máximo, Procurador de Augusto e, finalmente, a Legião Séptima Gémina Feliz.

Finais do séc. 01 / início do séc. 02
Época provável da construção da ponte sob o Império de Trajano;

Ano 104
Erecção da coluna comemorativa, assinalando a construção da ponte pelos aquiflavienses, à sua própria custa;

Teor da inscrição nela existente:
IMP(eratori) CAES(ari) NERVA / TRAIANO AVG(usto) GER(manico) / DACICO PONT(ifici) MAX(imo) / TRIB(unitia) POT(estate) CO(n)S(ule) V P(atri) P(atriae) / AQVIFLAVIENSES / PONTEM LAPIDEVM / DE SVO F(aciendum) C(uravit).

A sua tradução é:
Sendo imperador César Nerva Trajano Augusto Germânico, Dácico, pontífice máximo, com a potestade tribunícia, cônsul pela quinta vez, pai da pátria; os Aquiflavienses levantaram à sua custa esta ponte de pedra

Representação da Ponte de Trajano no livro de Duarte d'Armas
Séc. 16
Numa representação da ponte no "Livro das Fortalezas" de Duarte d'Armas, são visíveis 14 arcos, intercalados por talha-mares;

Ano 1880
Data de uma das restaurações da ponte, da construção dos pilares cilíndricos, da recolocação da cópia(*) da coluna comemorativa da sua construção e substituição das guardas de granito por grades de ferro.

Década de 1940
Construção de um paredão, espécie de cais, pela Câmara Municipal de Chaves, ao longo da margem direita do Tâmega, estreitando o leito do rio, abafando mais outros 4 arcos, para além dos 4 parcialmente ocultados e, pelo menos 2 outros, na margem esquerda, que já estavam soterrados desde longa data por alguns prédios;

Ano 1980
Durante a dragagem do rio conduzida pela autarquia, descobriu-se, na margem esquerda, a montante da ponte e muito próxima da mesma, um padrão cilíndrico idêntico ao Padrão dos Povos, mas epigraficamente com diferenças e sem permitir a leitura completa do texto devido à erosão provocada pela longa permanência na água. Esta será, em princípio a coluna original(*);

2008
Substituição do pavimento existente em cubos de granito, por lajeado de granito serrado, com elevação da cota inicial.
A partir desta data a ponte passa a ser de uso exclusivamente pedonal.


Características

Fotografia onde se vêem as guardas em pedra, obtida cerca de 1880, antes
da substituição por grades em ferro, ocorrida nesse ano.
Fotografia gentilmente cedida por Rui Queirós
Estima-se que inicialmente a ponte possuiria um tabuleiro com cerca de 140 a 150 m de comprimento e 18 ou 22 arcos, conforme os autores.

Possui actualmente 16 arcos visíveis, 9 dos quais se situam sobre o leito do Rio Tâmega, 3 sobre o cais existente na margem direita, parcialmente cortados na sua altura e os restantes 4, também na margem direita mas tapados e só com os topos visíveis, usados como arrumos dos prédios adjacentes.

Os arcos, de volta perfeita e aduelas almofadadas e com orifícios para encaixe do fórfex, assentam sobre pilares rectangulares.
Possuía inicialmente guardas laterais em granito, entretanto substituídas por guardas metálicas. Para escoamento das águas pluviais, possui lateralmente gárgulas semi-circulares.


Ponte de Trajano - Novembro 2011
Diferenças entre talha-mares
Os talha-mares existentes evidenciam as obras de restauro que ao longo dos séculos se foram realizando, pois se alguns se encontram perfeitamente encastrados na estrutura, outros há que estão sómente justapostos. Alguns deles foram entretanto substituídos por pilares semi-cilíndricos.


O fórfex
De realçar a diferente dimensão de dois arcos e pilares adjacentes do lado da margem esquerda do rio que, segundo alguns autores, denunciam a transformação de três em dois arcos, num processo de restauro necessário pelo eventual desabamento dessa parte da ponte, talvez ocorrido por altura das cheias de 1788 (observar na foto inicial o 1º e 2º pilar e o 2º e 3º arco, da direita para a esquerda).
Nessa zona o talha-mar existente possui dimensões muito superiores aos restantes.


Coordenadas (sensivelmente ao meio do tabuleiro)

41º 44' 18'' N, 7º 28' 1'' O


(*) Existem várias opiniões acerca da originalidade das colunas:
- Enquanto alguns advogam que as colunas existentes (duas sobre a Ponte de Trajano e uma outra no Museu da Região Flaviense) são as três originais, outros há que opinam que só a do museu é original, sendo as outras duas réplicas das originais... 

2011-11-13

Orquestra do Norte

No pretérito dia 10 tive, mais uma vez, o privilégio de assistir a uma magistral actuação da Orquestra do Norte, sob a direcção do maestro José Ferreira Lobo.

Abro aqui um parêntesis. pois a propósito do maestro José Lobo, não posso deixar de recordar quando integrei o grupo coral que actuou na festa de finalistas do Liceu Nacional de Chaves. Os ensaios decorriam à noite, no salão dos Bombeiros Voluntários de Salvação Pública, mais conhecidos pelos "bombeiros de cima", sob a orientação do José Lobo. Não me recordo de todo o repertório, mas houve duas canções que não mais esqueci: When The Saints Go Marching In e Que cantam los poetas andaluces de ahora.
O perfeccionismo que nos era exigido, em tão curto espaço de tempo, não mas o esquecerei.

Regressando ao concerto, quero referir que o auditório do Centro Cultural de Chaves, encheu-se para o evento, que tinha a particularidade adicional de estrear o concerto para flauta e orquestra do compositor flaviense José Firmino.
A flautista era a fantástica japonesa Kayoko Minamino, que teve uma actuação soberba.
Está de parabéns José Firmino, por tão belo concerto.

Seguiram-se os os magníficos tangos de João Camacho, com todo o virtuosismo da orquestra a vir ao de cima.

Finalmente, e extra programa, tivemos ainda a oportunidade de escutar as Danzas Fantásticas (Exaltación, Ensueños e Orgía), do compositor espanhol Joaquín Turina, numa perfeita escolha de José Lobo, homenageando José Firmino.

2011-10-09

Lua em Chaves


Chaves, margem direita do Rio Tâmega...
Tarde de sábado.
Após um calmo passeio com a Isabel pela zona histórica de Chaves, eis-nos chegados à margem direita do Tâmega. Local sempre aprazível e relaxante, propício para aliviar do stress semanal, conduz-nos a uma calma interior que o lânguido Tâmega ajuda a consolidar.
Quando, de regresso ao carro, observo a Lua, não resisti. Estava naturalmente bela, tal como elegante estava a ponte...    

2011-10-07

Jazz & Astronomia


Todos nós temos as nossas paixões! Obviamente, eu não fujo à regra...
As paixões têm que ser cultivadas e acarinhadas, de modo a não corrermos o risco de definharem.
Assim, com maior ou menor periocidade, devemos-lhe providenciar o alimento necessário para que tal aconteça.
No início do Outono, um dos eventos que alimenta uma das minhas paixões, o jazz, é o Douro Jazz, que semanalmente ocorre no Centro Cultural de Chaves, pela mão da Chaves Viva.
Têm sido inúmeros os grupos que aqui me têm surpreendido.
Um dos momentos que não mais esquecerei, por exemplo, foi a vinda do brasileiro Diego Figueiredo, um virtuoso da guitarra, actualmente mundialmente reconhecido e premiado, numa simbiose perfeita entre a Bossa Nova e o Jazz.
No próximo dia 14, vou satisfazer esta e uma das minhas outras paixões - a Astronomia.
Aproveitando a vinda ao CCC do grupo austríaco Jazzodrom, realizarei no final do espectáculo uma "Noite de Astronomia", visando essencialmente a observação da Lua, de Júpiter e dos seus mais massivos satélites.
Terei que sacrificar uma parte do espectáculo musical para que tenha tudo a postos para o espectáculo astronómico, mas..., não se pode ter tudo!

2011-06-15

Eclipse Lunar - 15 de Junho de 2011, Chaves, PT


Local de observação: Alto da Forca, Chaves, Portugal (41,733509 N -7,480898 W)

Transição da fase umbral (total) para penumbral
Fotografia afocal sobre binóculo  8 x 42
De "tralha" às costas, preparei com antecedência a observação:
Duas cadeiras, máquina fotográfica, binóculos, tripé, pequeno telescópio, conjunto de oculares, um "print" com os dados do eclipse e um outro, com os horários de passagem da ISS.
A temperatura estava amena, embora soprasse uma pequena brisa. Algumas nuvens salpicavam o céu.
Com tudo a postos, e enquanto aguardava, apreciei a paisagem sobre a cidade de Chaves e tirei algumas fotos.
A Serra do Brunheiro, teimava em esconder a Lua atrás de si...
Foram necessários cerca de vinte e cinco minutos desde o seu teórico nascimento,  para que ela aparecesse. Como ainda havia muita luz e a Lua estava no cone de sombra (umbra) da Terra, só me apercebi quando a totalidade do disco já se elevava sobre o Brunheiro. Com a sua tonalidade avermelhada, estava simplesmente... bela!
Fase maioritariamente penumbral
Fotografia afocal sobre telescópio refractor 60 mm 
Depois foi um alternar entre a observação à vista desarmada, através dos binóculos, pelo telescópio e com umas fotos pelo meio.
De vez em quando as nuvens interpunham-se por alguns momentos. Nada de grave.
Quando a fase umbral já estava a dar lugar à penumbral, a ISS brinda-nos com a sua passagem, com uma excelente magnitude máxima de -3,7!
Com o eclipse já maioritariamente penumbral, aparece uma escura e enorme nuvem que, muito diplomaticamente nos mandou para casa.
Foi um belo e agradável momento!        

2011-02-08

O Sistema Solar na cidade de Chaves

Nem sempre é fácil ter a noção de grandeza do nosso sistema solar.
As distâncias que separam os planetas e o sol bem como os seus diversos tamanhos são enormes e de difícil percepção para nós, que estamos habituados a percorrer distâncias e a ver objectos bem mais pequenos...
Para nos ajudar a perceber melhor esta realidade, está representado na malha urbana da cidade de Chaves, à escala, o nosso sistema solar.
Temos o sol representado por um círculo com 62 cm de diâmetro, com o planeta anão Plutão a 2632 m de distância e um diâmetro de 1 mm. Entre eles, estão todos os outros planetas à respectiva escala.
Assim, percorrendo algumas artérias da cidade, vamos viajando através dele e tendo uma mais bem definida noção do seu real tamanho.
A não perder!

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